Em uma pequena área da Mata Atlântica, no sul do Brasil, vive uma espécie de rã de cor laranja vibrante, nova para a ciência, conforme relatam pesquisadores em um estudo recente. O minúsculo anfíbio mede pouco mais de um centímetro de comprimento, menos de meia polegada, ou o comprimento de uma unha comum.
A equipe batizou o sapinho de Brachycephalus lulai, em homenagem ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
O gênero Brachycephalus, também conhecido como sapos-pulga ou sapos-sela, é composto por animais minúsculos que vivem entre a serapilheira na Mata Atlântica brasileira. Das 42 espécies conhecidas, 35 foram descritas desde 2000.

Exemplares da espécie mais recente a ser descrita, B. lulai, foram encontrados escondidos na serapilheira da Mata Atlântica em dois locais próximos, nas encostas sudeste da Serra do Quiriri, no estado de Santa Catarina, sul do Brasil.
Os pesquisadores coletaram 32 indivíduos e compararam diferentes características dos sapos, incluindo seu DNA e vocalizações, com as de outras espécies de Brachycephalus. A análise mostrou que se tratava, de fato, de uma espécie nova para a ciência.
B. lulai possui um corpo laranja brilhante salpicado de minúsculas manchas verdes e marrons. Os machos medem apenas 8,9 a 11,3 milímetros (0,35 a 0,44 polegadas) de comprimento, enquanto as fêmeas são ligeiramente maiores, com 11,7 a 13,4 mm (0,46 a 0,53 polegadas). Os machos emitem um canto muito distinto para atrair as fêmeas, exclusivo da espécie, segundo os pesquisadores.

Atualmente, os locais onde B. lulai foi encontrado parecem estar intactos, sem ameaças significativas. Sendo assim, os pesquisadores sugerem que a espécie seja classificada como de menor preocupação na Lista Vermelha da IUCN.
“A nova espécie ocorre em florestas altamente preservadas e de difícil acesso, o que significa que não está ameaçada de extinção”, disse Marcos R. Bornschein, coautor do estudo e pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista, à Popular Science. “É uma das poucas espécies de Brachycephalus que não estão ameaçadas, o que é muito reconfortante para nós.”
No entanto, “é essencial continuar monitorando sistematicamente esse cenário”, escrevem os pesquisadores. Isso porque a Serra do Quiriri, em sua extensão mais ampla — que inclui espécies de rãs ameaçadas como B. quiririensis, B. auroguttatus e Melanophryniscus biancae — sofre impactos decorrentes de queimadas regulares em pastagens, pastoreio de gado, mineração, invasão de pinheiros e desenvolvimento turístico.

